segunda-feira, 28 de junho de 2010

Desejo simples

Vai passando o carroceiro

na redoma imaculada

da humildade.


Seu olhar fita a capela,

o sino, o santo que vela

a cidade.


Eu queria ser-lhe a lágrima,

o gesto, o chapéu de palha

neste instante.


E tornar branca a paisagem

que me fiz como estiagem

tão constante.


Tudo segue seu destino

e o humilde peregrino

vai-se embora.


Só eu fico na clausura

de mim, à minha procura

noutro agora...


(Poema de Kalliane Amorim)

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