terça-feira, 27 de abril de 2010

Canção


Antiga como as árvores

É a minha canção,

Com suas raízes tecidas pelo tempo,

Desenhando estranhas tramas

De aéreos arabescos.


Às vezes, o vento passa.

Às vezes, pairam pássaros.

E minha canção estremece,

Pendente gota de orvalho.


Tão mudo o nascer

Do meu cantar descalço!

Tão mudo o seu pisar

Terrestre, tão alado!


Que eu ficarei cantando,

Cantando só ficarei,

Até que me venha o silêncio

Com sua barca me levando

Às paragens onde eu,

Sem saber, sempre cantei.


Poema de Kalliane Amorim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário