Antiga como as árvores
É a minha canção,
Com suas raízes tecidas pelo tempo,
Desenhando estranhas tramas
De aéreos arabescos.
Às vezes, o vento passa.
Às vezes, pairam pássaros.
E minha canção estremece,
Pendente gota de orvalho.
Tão mudo o nascer
Do meu cantar descalço!
Tão mudo o seu pisar
Terrestre, tão alado!
Que eu ficarei cantando,
Cantando só ficarei,
Até que me venha o silêncio
Com sua barca me levando
Às paragens onde eu,
Sem saber, sempre cantei.
Poema de Kalliane Amorim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário