Todos nós temos conosco aquelas caixinhas nas quais guardamos as lembranças em forma de bilhetes, cartões, pétalas de flores, fotos, e tudo o que as pessoas vão deixando quando passam por nossas vidas. Foi numa tarde que, revendo a minha caixa, escrevi este poema, que acabou me dando o primeiro lugar na quinta edição do concurso de poesia Luís Carlos Guimarães (Fundação José Augusto - Natal - RN).
Lição de amor
Numa caixa de sapatos
jazem sobrepostos
os meus inúmeros corpos:
um cartão de aniversário
datado,
um missal de amigo
em memória
datado,
uma fitinha de São Francisco,
conchinhas roubadas na praia
(mania feia de amor falso),
uma flor de papel e arame,
desenhos inacabados
e, num envelope amarelado,
num último envelope,
três cartas de amor
datadas –
um rapaz que se perdeu
um rapaz que se casou
um rapaz que se encantou.
Duma caixa de sapatos
brotam meus habitantes.
Minhas tardes se comovem,
chegam mesmo a sorrir,
e eu oferto minha ternura
sem que ninguém desconfie.
(Poema de Kalliane Amorim)
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